Pertencente a geração do Romantismo brasileiro, situado
na vertente regionalista deste movimento literário, Bernardo Guimarães, autor
também de “ “A Escrava Isaura”, tinha linguagem e estilo característicos
daquele momento histórico. Descritivo por natureza, embora mais conciso que
alguns de seus conterrâneos românticos, tratou de assuntos delicados com certa
leveza.
“O Seminarista” é um romance que narra a história de
Eugênio e Margarida, dois jovens que foram criados como irmãos. A maneira como é
realizada a abordagem do tema do celibato lembra vagamente o romance criado
pelo escritor português Alexandre Herculano em “Eurico, o Presbítero”.
A temática de “O Seminarista” trata também das
desigualdades sociais, preconceitos, tradição do celibato e descreve o orgulho
e o egoísmo humano que não mede esforços para alcançar seus intentos com
maestria, sem se importar com as consequências dos atos.
O autor utilizou a intertextualidade com a Bíblia a seu
favor para tecer críticas ao fanatismo religioso, e, por que não dizer: ao ego
de uma família rica que a todo custo quis mantêr o status perante a
sociedade, sacrificando a felicidade do próprio filho. Além disso, fez uso
desse mesmo recurso para traçar o destino de sua protagonista.
Apresentou um Eugênio obediente e ingênuo, mas que
demonstrou um conflito interno, o qual consistia em uma luta travada, de um
lado, pela consciência do dever religioso, e, medindo forças, o sentimento
amoroso pela amiga, ponto essencial para o desenrolar da trama.
O final demonstrou o que o jogo de interesses e o desejo
desenfreado pelo reconhecimento social pode causar em duas pessoas e que nem
tudo o que parece ser loucura realmente é, às vezes é só a razão voltando para
o corpo. Leiam o livro e, se quiserem, comentem o que acharam.

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