terça-feira, 14 de setembro de 2021

RESENHA DO ROMANCE "O SEMINARISTA" DE BERNARDO GUIMARÃES


Foto do meu livro

Pertencente a geração do Romantismo brasileiro, situado na vertente regionalista deste movimento literário, Bernardo Guimarães, autor também de “ “A Escrava Isaura”, tinha linguagem e estilo característicos daquele momento histórico. Descritivo por natureza, embora mais conciso que alguns de seus conterrâneos românticos, tratou de assuntos delicados com certa leveza.

“O Seminarista” é um romance que narra a história de Eugênio e Margarida, dois jovens que foram criados como irmãos. A maneira como é realizada a abordagem do tema do celibato lembra vagamente o romance criado pelo escritor português Alexandre Herculano em “Eurico, o Presbítero”.

A temática de “O Seminarista” trata também das desigualdades sociais, preconceitos, tradição do celibato e descreve o orgulho e o egoísmo humano que não mede esforços para alcançar seus intentos com maestria, sem se importar com as consequências dos atos.

O autor utilizou a intertextualidade com a Bíblia a seu favor para tecer críticas ao fanatismo religioso, e, por que não dizer: ao ego de uma família rica que a todo custo quis mantêr o status perante a sociedade, sacrificando a felicidade do próprio filho. Além disso, fez uso desse mesmo recurso para traçar o destino de sua protagonista.

Apresentou um Eugênio obediente e ingênuo, mas que demonstrou um conflito interno, o qual consistia em uma luta travada, de um lado, pela consciência do dever religioso, e, medindo forças, o sentimento amoroso pela amiga, ponto essencial para o desenrolar da trama.

O final demonstrou o que o jogo de interesses e o desejo desenfreado pelo reconhecimento social pode causar em duas pessoas e que nem tudo o que parece ser loucura realmente é, às vezes é só a razão voltando para o corpo. Leiam o livro e, se quiserem, comentem o que acharam.
      

  

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