Sonhando em um dia conquistar um futuro melhor, dona Anastácia e seu Euclides saíram de sua terra, a amada Cajazeiras. Esse casal vivia por quarenta anos no mesmo local em que passaram sua infância e adolescência. O que esperar do futuro? Incertezas rondavam suas mentes.
A tristeza estampada em seus rostos contrastava com a esperança de uma velhice feliz em outro lugar que oferecesse mais segurança, visto que, aquele já estava perigoso para duas pessoas solitárias. Por terem se casado tardiamente, não puderam mais ter filhos, então, a única opção foi morar próximos aos sobrinhos. Assim, construíram uma casa confortável para aquele casal adorável e venderam a antiga propriedade, já que era deserta demais.
Anos se passaram e a Cajazeiras foi perdendo seus poucos moradores. Certo dia, um viajante que vinha de Amendoeira com destino à Menescau, estava passando pelo local quando de repente ouviu um chamado de uma pessoa pedindo por ajuda, afirmando que estava presa.
Naturalmente estranhou, pois, sabia que ninguém passava por ali a anos nem existiam mais moradores, então, presumiu que devia ser engano da sua mente e cogitou a possibilidade de continuar a sua peregrinação. Porém, o grito tornou-se mais forte, então resolveu entrar pela estrada adentro para ver do que se tratava.
Começou a ver vultos correndo e pegadas no chão, tentou segui-los, se perdeu e descobriu uma verdadeira encruzilhada, um labirinto sem saída em que assombrações eram constantes e nada lhe era explicado. O medo o dominou de tal forma que cerrou as pálpebras e soltou um grito de pavor.
Após isso, apareceu na estrada novamente e ficou sem entender. Teria sido um delírio? Um fruto da sua imaginação? Não quis ficar para descobrir. Subitamente, seguiu o seu caminho, correndo, assustado, imaginando ter ficado louco.
Pessoas que ficaram sabendo dessa aventura ficaram curiosas e quiseram tirar a prova se isso era verdade. Os relatos se repetiam à medida que o tempo ia passando, porém, um questionamento perdurava: Qual a razão daquele lugar ter ficado mal-assombrado? Teria sido o abandono?
Sem saber o verdadeiro motivo, os antigos moradores começaram a espalhar boatos. Disseram que um dos habitantes antigos tinha presenciado um crime e desde então, o local havia sido amaldiçoado. Mas, o que ganhou força e notoriedade foi a hipótese de em algum quintal haver ouro e como ninguém conseguiu encontrar estas coisas aconteciam.
A verdade é que nada foi provado, nenhuma hipótese levantada parece ter fundamento. Quanto ao que o viajante viu e sentiu não houve explicação. Realidade ou fruto da imaginação?
Os questionamentos continuaram até que seu Euclides resolveu verificar o que estava ocorrendo no local que cresceu. Certo dia, determinado a desvendar aquele mistério tão intrigante, o bondoso senhor visitou os seus antigos amigos para colocar a conversa em dia. Primeiro foi na casa da dona Isaura, sua cunhada. Após adentrar a casa, o diálogo procedeu da seguinte maneira:
- Bom dia, Isaura. Como é que andam as coisas? Fiquei sabendo de umas conversas estranhas sobre a nossa Cajazeiras - Disse o cunhado.
- Mas, homem, essas histórias já chegaram por lá? Parece que o lugar ficou mal-assombrado, toda hora me vem gente falar que viu fantasmas. Acredita que até meu netinho saiu assustado. Ele disse que viu a madrinha que morreu - Respondeu Isaura.
Seu Euclides questionou a cunhada o horário em que o neto viu a suposta madrinha. Em posse dos detalhes, resolveu ir ao lugar exato em que isso ocorrera. Quando se aproximou percebeu que por trás de uma pedra tinha um pedaço de lençol branco caído. A princípio achou que não fosse nada demais, mas, caminhando ao redor da pedra encontrou uma gargantilha com as iniciais D.L.R. De quem seria aquilo? Não se lembrava de ninguém com este nome.
Como em um lapso de memória lembrou-se de um velho conhecido, extrator de minerais, Diógenes Leal Ribeiro. Tremeu-se de susto. Havia resolvido o mistério da autoria. Mas, por quê? Qual a motivação daquele homem em assustar o povo.
A população havia acertado em pensar que havia ouro na terra, mas, se equivocou ao vislumbrar fantasmas. Isso nunca existiu. A velha Cajazeiras era rica em minérios, uma verdadeira mina de ouro. Sabendo disso, o esperto do Diógenes colocou pessoas disfarçadas de fantasmas para assustar a população, para que pudesse haver a extração do ouro sem pagamentos de indenizações. Todos ficaram sabendo. A revolta foi geral. Anos depois, o local foi habitado novamente. Os moradores ficaram ricos com a extração do ouro feita pelo homem “esperto” que passou a espantar os colegas na cadeia de Santa Diamantina.
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