Um
homem muito inteligente, morador da Etiópia era colecionador de moedas de ouro,
as quais eram guardadas em um baú grandiosíssimo, escondido debaixo do chão da
sua casa. Aristides possuía poucos amigos, não era chegado a festas nem a
encontros. Era solteiro, por escolha própria, não queria ter preocupações
extras em seu orçamento mensal.
Viver
sob os holofotes da mídia não era o seu alvo de vida, por isso, lutava para
distanciar-se das pessoas de forma tal que raramente o viam. Certo dia,
sentiu-se mal, assim, gritou por ajuda ao que foi prontamente atendido por um
transeunte que estava passando na rua.
Esse
homem que o ajudou foi um morador de rua e se chamava Samuel. O mesmo o levou
para o hospital, só que o problema do coração se agravou causando o seu óbito.
Em seu enterro, somente o homem de bom coração compareceu.
Aparentemente,
estava tudo encerrado: As aparências enganam e a herança também! Não tendo
parentes, a casa ficou para o governo. Mas, e as moedas? Essa é outra história.
Em
uma noite, passados seis meses da morte do colecionador, o morador de rua
estava dormindo “tranquilamente” até que ouviu uma voz sussurrando em seu
ouvido pedindo que ele fosse ao quintal da casa do Aristides cavar um baú cheio
de moedas de ouro, pois, assim ficaria rico e sairia daquela condição.
Sabem
qual foi a reação do rapaz? Só digo que até o cemitério tomou susto. Passada
aquela neurose que durou a noite inteira, se acalmou e voltou a dormir,
concluindo que foi apenas uma brincadeira de mau gosto de algum dos seus colegas.
As
noites se passavam da mesma maneira, até que um dia resolveu atender ao pedido
e ver do que se tratava. Porém, lhe apareceu uma única condição: teria que
tirar um pouco de sangue do próprio dedo e jogar em cima do baú. Era uma forma
de reconhecimento pessoal.
Imaginem
a cena épica: Samuel foi ao encontro no lugar determinado para iniciar o
processo de descobrimento do baú. Na primeira tentativa, descobriu que seria
mais fácil redescobrir a América. Na segunda tentativa, houve um pequeno erro
de cálculo e quase foi aterrado tamanho a quantidade de areia. E, na última vez, finalmente alcançou o intento e observou o baú.
Lembrou-se
do sangue do dedo, só que como esperteza e inteligência são distribuídas
igualmente na “fila do pão”, Samuel escolheu a primeira alternativa e, pasmem,
tirou o sangue de uma galinha para colocar no baú achando que a criatura do
além não iria perceber a diferença.
Ao
perceber que o sangue não era do dedo e sim da ave, o além fez o baú
desaparecer. Ele só ouviu o estrondo das moedas de ouro caindo debaixo da
terra. E assim perdeu a única chance de mudar de vida. Conterrâneos desse homem
garantem a veracidade da história.
Misticismo
ou realidade? Escolham a melhor opção.
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