Em uma noite com luar, erguiam-se sombras de insolações no céu. Símbolos de um dia “magnífico” que estava por vir. Na manhã do dia 24 de agosto de 2003, ocorreria a formatura do filho caçula da família do médico renomado Daniel Côrtez. A felicidade dominava aquele local de forma tal que não viam as evidências de uma tragédia.
O menino Danilo estava ansioso, nervoso, por isso decidiu ir na véspera do evento tão aguardado a uma festa com os seus amigos. Como em um ritual de educação inesperado, antes de prosseguir para o seu derradeiro propósito, pediu a permissão dos seus pais que o consentiram sem nenhuma objeção. Somente o seu pai lhe disse algo:
— Tome cuidado! Não venha tarde, amanhã é o grande dia.
Conselho ao que o menino retrucou:
— Ok. Volto antes das 23 h.
Assim como o inesperado acontece, atitudes impensadas também abrem brechas para as consequências. Sendo assim, Danilo encontrou-se com os amigos e seguiu. Na travessia da rua Truce, quase ocorreu um acidente. Um motorista bêbado se colocou na frente do carro dos garotos e por pouco não ocorreu um eclipse lunar.
Aquele episódio poderia ter sido entendido como um sinal de que era melhor voltar, prosseguir seria burrice. Ainda mais depois do que o amigo do bêbado falou:
— Não prossigam. O caminho é tortuoso. A chuva deixou o caminho movediço e perigoso.
Mas, teimosia é contagiosa e os garotos “destemidos” trilharam o caminho da morte. Recuar seria falta de coragem. Será?
As horas se passavam e Danilo não voltava para casa, os celulares estavam desligados, não tinha como rastrear. O desespero bateu a porta das famílias dos garotos. Encontraram o carro, mas, a eles ninguém encontrou. Eis um mistério.
Tentaram descobrir o que era aquela luz dita pelos jovens do dia do acidente. Descobriram e se assustaram: O sol encontrara a lua em uma apoteose jamais vista no planeta Terra condicionando aos seus filhos iluminação plena do sistema solar. Resumindo: estavam mortos.
Aquela luz representava a transformação de um ser humano em divindade, porém, como ninguém tem esse direito, o insolente que obtivesse a ambição de atravessá-la era queimado vivo.
E assim, se foi um sonho, uma ambição e deparou-se com a realidade de uma vida entre escombros de uma iluminação mortal.
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