Era
outono. As flores caíam no quintal da casa de dona Beatriz. O dia havia amanhecido
com uma expressão diferente, era o seu aniversário. Todos os anos, com um
entusiasmo contagiante a vibrante mulher acordava, enfim, precisava estar bem
para aquele dia tão esperado.
O
sol não abrira completamente, o tempo estava meio nublado, mas, isso não a
impediria de comemorar a chegada de mais uma primavera em sua vida. Era
tradição fazer uma festa com os amigos mais chegados. Mudanças devem ser
notadas e respeitadas. O clima parecia conspirar a favor daquele festivo dia,
longo domingo.
Logo
pela manhã a caravana chegou trazendo muita animação e alegria. Passearam pelo
campo, visitaram os vizinhos, cantaram diversas músicas conhecidas e se
alimentaram com as frutas que encontravam na casa da alegre senhora. Após o
horário do almoço, distribuíram-se pela casa e dormiram boa parte da tarde.
O
sol que surgira no horizonte brilhava intensamente durante todo o período
vespertino, iluminando as casas dos moradores de Minas Gerais, porém, próximo à
hora da partida dos seus amigos, algo inesperado aconteceu: começou a chover.
Uma manga de chuva inundou a plantação de esperança e os caravanistas de pouca
preocupação.
—
Viemos de Kombi. A chuva foi pouca. Não temos com o quê nos preocuparmos —
Pensaram os viajantes.
Era
chegada a hora da partida. Todos estavam arrumados e felizes. Afinal, tinham
passado um dia maravilhoso na companhia da amiga Beatriz. Os vizinhos da
senhora pediram aos turistas que tomassem cuidado com a estrada, pois, poderia
estar escorregadia. É sempre importante atentar aos avisos, a teimosia pode
cobrar um preço muito caro de quem a persegue.
Após
despedir-se da casa, os amigos seguiram o caminho de volta para casa. Antes de
aproximar-se da saída da zona rural da cidade mineira, se tornava necessário
passar por um lugar estreito e cheio de barrancos. Quando o motorista se
preparava para ultrapassar aquele obstáculo com coragem, foi parado por um
morador do local, que acenando com a mão falou assim:
—
Ei, amigos. Não prossigam. A chuva deixou aquilo ali muito escorregadio. Eu
mesmo quase caí — Afirmou seu Maurício.
—
Estamos em um número grande, não tem como cairmos. Além disso, choveu pouco,
não é suficiente para causar algum acidente — Respondeu o motorista.
Os
viajantes não deram importância à palavra do homem e prosseguiram, mesmo com os
avisos. A marcha ré mental poderia ter funcionado. O inevitável aconteceu: Ao
dar o primeiro passo para a descida em uma ladeira, o motorista começou a
sentir o efeito da chuva na estrada, o carro iniciou as mudanças bruscas. Após
perder o controle e ficar rolando de um lado para o outro, essa foi a maneira
encontrada para não causar uma tragédia: a kombi foi jogada contra o barranco,
de maneira lenta e gradual, a mesma foi virando para baixo na ponta de outro
barranco.
A
sensatez poderia ter evitado esta complicação, assim como, a precipitação
também comprometeria a vida de todos os caravanistas, enfim, assim como a
prevenção é sempre o melhor remédio, saber escutar pode fazer toda a diferença.
Voltando
a kombi, o desespero tomou conta da situação que demorou a ser controlada,
principalmente pela alta quantidade de idosos no automóvel. De forma milagrosa
e até admirável, conseguiram sair, mesmo com o carro virado. As pessoas ficaram
ilesas de qualquer sequela ocasionada pelo acidente. Além disso, aumentaram o
vocabulário, pois, aprenderam de uma forma impressionante o significado de uma
manga de chuva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário