quarta-feira, 22 de setembro de 2021

O ANIVERSÁRIO DE BEATRIZ


Era outono. As flores caíam no quintal da casa de dona Beatriz. O dia havia amanhecido com uma expressão diferente, era o seu aniversário. Todos os anos, com um entusiasmo contagiante a vibrante mulher acordava, enfim, precisava estar bem para aquele dia tão esperado.

O sol não abrira completamente, o tempo estava meio nublado, mas, isso não a impediria de comemorar a chegada de mais uma primavera em sua vida. Era tradição fazer uma festa com os amigos mais chegados. Mudanças devem ser notadas e respeitadas. O clima parecia conspirar a favor daquele festivo dia, longo domingo.

Logo pela manhã a caravana chegou trazendo muita animação e alegria. Passearam pelo campo, visitaram os vizinhos, cantaram diversas músicas conhecidas e se alimentaram com as frutas que encontravam na casa da alegre senhora. Após o horário do almoço, distribuíram-se pela casa e dormiram boa parte da tarde.

O sol que surgira no horizonte brilhava intensamente durante todo o período vespertino, iluminando as casas dos moradores de Minas Gerais, porém, próximo à hora da partida dos seus amigos, algo inesperado aconteceu: começou a chover. Uma manga de chuva inundou a plantação de esperança e os caravanistas de pouca preocupação.

— Viemos de Kombi. A chuva foi pouca. Não temos com o quê nos preocuparmos — Pensaram os viajantes.

Era chegada a hora da partida. Todos estavam arrumados e felizes. Afinal, tinham passado um dia maravilhoso na companhia da amiga Beatriz. Os vizinhos da senhora pediram aos turistas que tomassem cuidado com a estrada, pois, poderia estar escorregadia. É sempre importante atentar aos avisos, a teimosia pode cobrar um preço muito caro de quem a persegue.

Após despedir-se da casa, os amigos seguiram o caminho de volta para casa. Antes de aproximar-se da saída da zona rural da cidade mineira, se tornava necessário passar por um lugar estreito e cheio de barrancos. Quando o motorista se preparava para ultrapassar aquele obstáculo com coragem, foi parado por um morador do local, que acenando com a mão falou assim:

— Ei, amigos. Não prossigam. A chuva deixou aquilo ali muito escorregadio. Eu mesmo quase caí — Afirmou seu Maurício.

— Estamos em um número grande, não tem como cairmos. Além disso, choveu pouco, não é suficiente para causar algum acidente — Respondeu o motorista.

Os viajantes não deram importância à palavra do homem e prosseguiram, mesmo com os avisos. A marcha ré mental poderia ter funcionado. O inevitável aconteceu: Ao dar o primeiro passo para a descida em uma ladeira, o motorista começou a sentir o efeito da chuva na estrada, o carro iniciou as mudanças bruscas. Após perder o controle e ficar rolando de um lado para o outro, essa foi a maneira encontrada para não causar uma tragédia: a kombi foi jogada contra o barranco, de maneira lenta e gradual, a mesma foi virando para baixo na ponta de outro barranco.

A sensatez poderia ter evitado esta complicação, assim como, a precipitação também comprometeria a vida de todos os caravanistas, enfim, assim como a prevenção é sempre o melhor remédio, saber escutar pode fazer toda a diferença.

Voltando a kombi, o desespero tomou conta da situação que demorou a ser controlada, principalmente pela alta quantidade de idosos no automóvel. De forma milagrosa e até admirável, conseguiram sair, mesmo com o carro virado. As pessoas ficaram ilesas de qualquer sequela ocasionada pelo acidente. Além disso, aumentaram o vocabulário, pois, aprenderam de uma forma impressionante o significado de uma manga de chuva.

 

 

 

 


 


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