Viver a plenitude dos dias requer perseverança, buscar a felicidade nem sempre é o essencial quando na realidade se procura a sobrevivência. Mesmo assim, pequenos fatos da vida podem tornar os nossos dias mais alegres, mais felizes e até porque não dizer, mais saborosos.
Há
mais de meio século, observava-se um país essencialmente rural, em que as
famílias sobreviviam da agricultura de subsistência, os estudos eram precários,
porém, percebia-se a existência de homens que sabiam passar ensinamentos
valiosos. Aliás, um aspecto curioso daqueles dias, de onde vinha aquela
sabedoria dos homens mais antigos? Como sabiam tantas coisas?
As
respostas para estas indagações acima não são facilmente encontradas, mas, é
possível formular uma hipótese: os anos dedicados ao cultivo de plantações de
café, por exemplo, concedem verdadeiras lições aos seus donos.
No
ano de 1950, plantações de café eram comuns nas zonas rurais do município de
Bacurau. Sendo assim, existiam muitos homens trabalhando nas fazendas e
cafezais. Um destes era seu Francisco, agricultor, que tinha no cultivo desta
bebida seu principal sustento. Este senhor era viúvo e pai de nove filhos. Cada
um com uma personalidade diferente, porém, convivendo no mesmo espaço com uma
paixão em comum: o café.
Por
causa do seu árduo trabalho nas fazendas, este pobre agricultor conquistou um
pequeno sítio, em que criava os filhos e ao mesmo tempo trabalhava. Imaginem
senhores, o que representava aquele pequeno cafezal, os cuidados que lhe
demandavam ao mesmo tempo em que arava a terra, preparava o terreno para
receber a semente do café, acordava e ensinava aos filhos que o trabalho é o único
meio digno de sobrevivência.
Para compreender a importância que
este líquido bastava observar a rotina familiar. Se formos contar, todas as
vezes em que os integrantes desta família bebiam café, perdemos muitos litros
de um caldeirão quase inesgotável.
Esta
bebida tem um poder viciante, é ponto de partida para as reuniões familiares,
porém, nesta família ganhava uma característica peculiar e engraçada: era
motivo de disputas nos copos. Todas as vezes em que era colocado na mesa para
ser provado, aquele líquido delicioso que tinha um aroma irresistível e um
sabor maravilhoso, a sua distribuição pelas canecas eram medidas pelos irmãos,
ou seja, todos que tinham que ter a mesma quantidade, pois, se houvesse
diferença, o irmão mais novo quebrava a caneca inteira com raiva. Portanto,
amigos, até o café pode ser o estopim de uma guerra.
Esse
conflito não bélico não durava muito tempo, só o suficiente para dar uma emoção
a mais no jantar. Mas, uma das paixões nacionais do brasileiro, o café era uma
das únicas certezas de toda manhã e noite. Passando de pai para filho como uma
herança, praticamente todos os filhos amam esta bebida e a saboreiam todas as
horas do dia.
Parabéns, levou-me a pensar como crítica social ao início, mas como também a recordar a beleza que o café nos trás, aqui não é diferente, o café sempre está presente! A disputa é grande, as xícaras de café são imensas. Lembrei-me do meu irmão, que não está mais entre nós, seu texto me trouxe boas e valiosas lembranças. Viva ao café!
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