sexta-feira, 17 de setembro de 2021

A FAMÍLIA DO CAFÉ

     

  Viver a plenitude dos dias requer perseverança, buscar a felicidade nem sempre é o essencial quando na realidade se procura a sobrevivência. Mesmo assim, pequenos fatos da vida podem tornar os nossos dias mais alegres, mais felizes e até porque não dizer, mais saborosos.

Há mais de meio século, observava-se um país essencialmente rural, em que as famílias sobreviviam da agricultura de subsistência, os estudos eram precários, porém, percebia-se a existência de homens que sabiam passar ensinamentos valiosos. Aliás, um aspecto curioso daqueles dias, de onde vinha aquela sabedoria dos homens mais antigos? Como sabiam tantas coisas?

As respostas para estas indagações acima não são facilmente encontradas, mas, é possível formular uma hipótese: os anos dedicados ao cultivo de plantações de café, por exemplo, concedem verdadeiras lições aos seus donos.

No ano de 1950, plantações de café eram comuns nas zonas rurais do município de Bacurau. Sendo assim, existiam muitos homens trabalhando nas fazendas e cafezais. Um destes era seu Francisco, agricultor, que tinha no cultivo desta bebida seu principal sustento. Este senhor era viúvo e pai de nove filhos. Cada um com uma personalidade diferente, porém, convivendo no mesmo espaço com uma paixão em comum: o café.

Por causa do seu árduo trabalho nas fazendas, este pobre agricultor conquistou um pequeno sítio, em que criava os filhos e ao mesmo tempo trabalhava. Imaginem senhores, o que representava aquele pequeno cafezal, os cuidados que lhe demandavam ao mesmo tempo em que arava a terra, preparava o terreno para receber a semente do café, acordava e ensinava aos filhos que o trabalho é o único meio digno de sobrevivência.

            Para compreender a importância que este líquido bastava observar a rotina familiar. Se formos contar, todas as vezes em que os integrantes desta família bebiam café, perdemos muitos litros de um caldeirão quase inesgotável.

Esta bebida tem um poder viciante, é ponto de partida para as reuniões familiares, porém, nesta família ganhava uma característica peculiar e engraçada: era motivo de disputas nos copos. Todas as vezes em que era colocado na mesa para ser provado, aquele líquido delicioso que tinha um aroma irresistível e um sabor maravilhoso, a sua distribuição pelas canecas eram medidas pelos irmãos, ou seja, todos que tinham que ter a mesma quantidade, pois, se houvesse diferença, o irmão mais novo quebrava a caneca inteira com raiva. Portanto, amigos, até o café pode ser o estopim de uma guerra.

Esse conflito não bélico não durava muito tempo, só o suficiente para dar uma emoção a mais no jantar. Mas, uma das paixões nacionais do brasileiro, o café era uma das únicas certezas de toda manhã e noite. Passando de pai para filho como uma herança, praticamente todos os filhos amam esta bebida e a saboreiam todas as horas do dia.

Amigos, só tenho a dizer: Viva o café!

Um comentário:

  1. Parabéns, levou-me a pensar como crítica social ao início, mas como também a recordar a beleza que o café nos trás, aqui não é diferente, o café sempre está presente! A disputa é grande, as xícaras de café são imensas. Lembrei-me do meu irmão, que não está mais entre nós, seu texto me trouxe boas e valiosas lembranças. Viva ao café!

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Poema

  Lágrimas jorram de um pote Salvar ou deixar? As carnes apodrecidas clamam por um asilo No meio de tanta balbúrdia e dor. O homem sobrevive...