terça-feira, 7 de setembro de 2021

A "SANTA" PROTETORA DOS VEGETAIS


Entre as verdes colinas do bosque de seu Bartolomeu existiam todas as

diversidades de plantas que se possa imaginar, além de coqueiros, frutas e

hortaliças. O local parecia ser um paraíso. Neste bosque moravam treze

pessoas, das quais a maioria eram funcionários. O bosque era um ponto

turístico de importância econômica para a cidade de Amaral.

Todos os finais de semana, o bosque Polar recebia cerca de duzentos

turistas vindo das mais diversas cidades do estado de Goiás. Aquele local

recebeu na primeira semana de agosto uma das maiores caravanas de toda a

existência e o seu Bartolomeu estava muito feliz. Porém, em uma quarta-feira,

dia 23 de setembro, mês da primavera, em que as plantas deveriam estar mais

floridas, ocorria o contrário.

Instaurou-se um mistério principalmente por causa das orquídeas, flores

que se cuidadas corretamente permanecem lindas durante toda a estação.

Diferente dos outros anos, as orquídeas estavam murchando e morrendo,

mesmo sendo cuidadas corretamente por seu Bartolomeu que não se cansava

de olhar as suas lindas flores e plantas, por isso, não entendia a razão da

morte delas.

Resolveu investigar silenciosamente sem comunicar a nenhum dos seus

funcionários ou parentes. Todos os dias, como de costume, ia ao bosque visitar

todas as plantas, olhava até a raiz com a desculpa de acompanhar o

crescimento das mesmas. Passou um mês em uma intensa fiscalização. Não

descobriu nada. Aparentemente, estava tudo correto.

O bosque Polar era um lugar limpo, muito visitado, mas, de vez

em quando causava alguns problemas com os vizinhos encrenqueiros que não

suportavam as plantas por causa dos mosquitos que frequentemente

apareciam nas casas. Então, se fosse procurar culpados teria trabalho, pois,

investigaria boa parte da vizinhança, menos dona Efigênia.

A boa senhora era amiga de seu Bartolomeu, inclusive frequentava

aquele local constantemente em busca de sementes de flores para plantar em

seu pequeno quintal de três metros.

Certo dia, ela confidenciou ao amigo que vira um homem de capuz

preto colocar algo nas orquídeas e depois fugir. Disse a hora exata do suposto

crime e todos os detalhes. O dono do bosque estranhou a exatidão de

detalhes, parecia que ela tinha participado da ação. No final, dona Efigênia

revelou que o nome do envenenador das plantas era o vizinho deles, Samuel.

O sábio homem fingiu que acreditou na mulher, mas, armou uma

arapuca perfeita para o criminoso. Simplesmente, colocou câmeras e uma

armadilha no pé de orquídea. Amarrou uma corda na raiz da flor, assim, no

momento em que a pessoa segurasse a corda seria pega.

Logo ao amanhecer, seu Bartolomeu foi correndo ao jardim. Ao

visualizar que a emboscada dera certo, a alegria convertera-se em tristeza

quando descobriu quem era o matador. Em um ímpeto, gritou:

— Efigênia, era você esse tempo todo? Como foste capaz de envenenar

o meu jardim?

— Sim, fui eu. Para que vou negar? Vai fazer o quê? Mandar me

prender por ter envenenado algumas Orquídeas? Cansei da fama desse

bosque e das importunações dos animais peçonhentos.

Aquele senhor ficou indignado, pensou em expulsá-la naquele momento,

mas, não conseguiu segurar a risada a vendo presa na emboscada. Assim

mesmo, amigos! O tiro pode sair pela culatra, mas uma armadilha jamais. Ela

foi pega, mas ao contrário do que se pensa não com veneno e sim com água.

Explico: O excesso de água pode causar a morte da orquídea e intensificar o

processo de morte de outras plantas. Invejando a fama do bosque, a “boa”

senhora queria terminar com o bosque matando todas as suas plantas de

forma lenta e gradual, para poder comprá-lo.

O melhor ainda estava por vim: como forma de castigo por esse ato,

para não ser denunciada, dona Efigênia teve que cuidar e zelar do jardim

durante um ano com a supervisão de um dos funcionários, tornando-se a

“santa” protetora dos vegetais. Olhem que maravilhoso título de nobreza!

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