Entre as verdes colinas do bosque de seu Bartolomeu existiam todas as
diversidades de plantas que se possa imaginar, além de coqueiros, frutas e
hortaliças. O local parecia ser um paraíso. Neste bosque moravam treze
pessoas, das quais a maioria eram funcionários. O bosque era um ponto
turístico de importância econômica para a cidade de Amaral.
Todos os finais de semana, o bosque Polar recebia cerca de duzentos
turistas vindo das mais diversas cidades do estado de Goiás. Aquele local
recebeu na primeira semana de agosto uma das maiores caravanas de toda a
existência e o seu Bartolomeu estava muito feliz. Porém, em uma quarta-feira,
dia 23 de setembro, mês da primavera, em que as plantas deveriam estar mais
floridas, ocorria o contrário.
Instaurou-se um mistério principalmente por causa das orquídeas, flores
que se cuidadas corretamente permanecem lindas durante toda a estação.
Diferente dos outros anos, as orquídeas estavam murchando e morrendo,
mesmo sendo cuidadas corretamente por seu Bartolomeu que não se cansava
de olhar as suas lindas flores e plantas, por isso, não entendia a razão da
morte delas.
Resolveu investigar silenciosamente sem comunicar a nenhum dos seus
funcionários ou parentes. Todos os dias, como de costume, ia ao bosque visitar
todas as plantas, olhava até a raiz com a desculpa de acompanhar o
crescimento das mesmas. Passou um mês em uma intensa fiscalização. Não
descobriu nada. Aparentemente, estava tudo correto.
O bosque Polar era um lugar limpo, muito visitado, mas, de vez
em quando causava alguns problemas com os vizinhos encrenqueiros que não
suportavam as plantas por causa dos mosquitos que frequentemente
apareciam nas casas. Então, se fosse procurar culpados teria trabalho, pois,
investigaria boa parte da vizinhança, menos dona Efigênia.
A boa senhora era amiga de seu Bartolomeu, inclusive frequentava
aquele local constantemente em busca de sementes de flores para plantar em
seu pequeno quintal de três metros.
Certo dia, ela confidenciou ao amigo que vira um homem de capuz
preto colocar algo nas orquídeas e depois fugir. Disse a hora exata do suposto
crime e todos os detalhes. O dono do bosque estranhou a exatidão de
detalhes, parecia que ela tinha participado da ação. No final, dona Efigênia
revelou que o nome do envenenador das plantas era o vizinho deles, Samuel.
O sábio homem fingiu que acreditou na mulher, mas, armou uma
arapuca perfeita para o criminoso. Simplesmente, colocou câmeras e uma
armadilha no pé de orquídea. Amarrou uma corda na raiz da flor, assim, no
momento em que a pessoa segurasse a corda seria pega.
Logo ao amanhecer, seu Bartolomeu foi correndo ao jardim. Ao
visualizar que a emboscada dera certo, a alegria convertera-se em tristeza
quando descobriu quem era o matador. Em um ímpeto, gritou:
— Efigênia, era você esse tempo todo? Como foste capaz de envenenar
o meu jardim?
— Sim, fui eu. Para que vou negar? Vai fazer o quê? Mandar me
prender por ter envenenado algumas Orquídeas? Cansei da fama desse
bosque e das importunações dos animais peçonhentos.
Aquele senhor ficou indignado, pensou em expulsá-la naquele momento,
mas, não conseguiu segurar a risada a vendo presa na emboscada. Assim
mesmo, amigos! O tiro pode sair pela culatra, mas uma armadilha jamais. Ela
foi pega, mas ao contrário do que se pensa não com veneno e sim com água.
Explico: O excesso de água pode causar a morte da orquídea e intensificar o
processo de morte de outras plantas. Invejando a fama do bosque, a “boa”
senhora queria terminar com o bosque matando todas as suas plantas de
forma lenta e gradual, para poder comprá-lo.
O melhor ainda estava por vim: como forma de castigo por esse ato,
para não ser denunciada, dona Efigênia teve que cuidar e zelar do jardim
durante um ano com a supervisão de um dos funcionários, tornando-se a
“santa” protetora dos vegetais. Olhem que maravilhoso título de nobreza!
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