terça-feira, 27 de junho de 2023

Crônica da noite

 

Em uma noite de luar, observei duas rolinhas brigando em meu quintal por um punhado de milho que fora jogado em diversos pontos do chão. Mas, o que me impressionava era tanta luta para ter algo que tinha em quantidade suficiente para a alimentação de um quarteto. Tornei-me a pensar e cheguei à conclusão de que assim como as rolinhas, nós, seres humanos, supostamente racionais, impregnados, muitas vezes, de um idealismo utópico, escolhemos a competição e, por isso, adoecemos. Mas, por quê? Quais razões motivam a nossa eterna busca pela posição mais alta em todos os campos?

Após estes questionamentos, retorno-me à questão das aves, se é que algum momento sair, e trago os referenciais bíblicos e literários a minha lembrança. Érico Veríssimo em seu livro “Olhai os lírios do campo”, traz uma belíssima e valiosa lição por meio de uma carta lida pelo protagonista Eugênio. O escritor de maneira indireta nos aconselha a olharmos para as aves do céu que não cozinham nem fiam, mas nada lhes falta. Ou seja, o trabalho é importante, mas não nos esqueçamos de olhar para a vida com mais admiração. Relembrando: quando o desespero bater, “Olhai os lírios do campo.”.

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