Em
uma noite de luar, observei duas rolinhas brigando em meu quintal por um
punhado de milho que fora jogado em diversos pontos do chão. Mas, o que me
impressionava era tanta luta para ter algo que tinha em quantidade suficiente
para a alimentação de um quarteto. Tornei-me a pensar e cheguei à conclusão de
que assim como as rolinhas, nós, seres humanos, supostamente racionais,
impregnados, muitas vezes, de um idealismo utópico, escolhemos a competição e,
por isso, adoecemos. Mas, por quê? Quais razões motivam a nossa eterna busca
pela posição mais alta em todos os campos?
Após
estes questionamentos, retorno-me à questão das aves, se é que algum momento
sair, e trago os referenciais bíblicos e literários a minha lembrança. Érico
Veríssimo em seu livro “Olhai os lírios do campo”, traz uma belíssima e valiosa
lição por meio de uma carta lida pelo protagonista Eugênio. O escritor de
maneira indireta nos aconselha a olharmos para as aves do céu que não cozinham
nem fiam, mas nada lhes falta. Ou seja, o trabalho é importante, mas não nos
esqueçamos de olhar para a vida com mais admiração. Relembrando: quando o
desespero bater, “Olhai os lírios do campo.”.
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