Cada vez que me olhas
vês-me como eu era.
Não imaginas as batalhas,
as imagens barulhentas.
Debruço-me sobre o espelho,
lágrimas me inundam.
Procuro a beleza, a alegria...
Sonho com um dia poder pensar
no que fui sem chegar ao desespero.
Ilusão verdadeira de quem vê
e não quer mais enxergar
o passado à sua frente
e o futuro tão distante.
Toda vez que olho minha fronte,
vejo cacos de vidro ao luar.
Toma cuidado! Não pises,
não aguento mais me quebrar.
Só queria saber quando voltarei
a reconhecer o meu olhar.
Poema publicado no suplemento da Revista SerEsta, em homenagem a poetisa Cecília Meireles. Link da revista completa: https://revistaseresta.blogspot.com/p/blog-page.html
Fontes de inspiração:
ANTOLOGIA POÉTICA, RETRATO, ENCOMENDA,
4o MOTIVO DA ROSA - Cecília Meireles
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