sábado, 9 de outubro de 2021

OLHAR PERDIDO

 Cada vez que me olhas

vês-me como eu era.

Não imaginas as batalhas,

as imagens barulhentas.

Debruço-me sobre o espelho,

lágrimas me inundam.

Procuro a beleza, a alegria...

Sonho com um dia poder pensar

no que fui sem chegar ao desespero.

Ilusão verdadeira de quem vê

e não quer mais enxergar

o passado à sua frente

e o futuro tão distante.

Toda vez que olho minha fronte,

vejo cacos de vidro ao luar.

Toma cuidado! Não pises,

não aguento mais me quebrar.

Só queria saber quando voltarei

a reconhecer o meu olhar. 

Poema publicado no suplemento da Revista SerEsta, em homenagem a poetisa Cecília Meireles. Link da revista completa: https://revistaseresta.blogspot.com/p/blog-page.html

Fontes de inspiração:

ANTOLOGIA POÉTICA, RETRATO, ENCOMENDA,

4o MOTIVO DA ROSA - Cecília Meireles

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Poema

  Lágrimas jorram de um pote Salvar ou deixar? As carnes apodrecidas clamam por um asilo No meio de tanta balbúrdia e dor. O homem sobrevive...