quinta-feira, 2 de setembro de 2021

SORAYA E O MAR

 

Com o nascimento de um novo dia surge a esperança do aparecimento de um belo amanhecer, de um sol que ilumina a todos os cidadãos das cidades e também das zonas rurais. Por meio da expressão contínua do calor, têm-se a sensação de estarmos no verão.

Mas, qual é o encanto dessa estação? O que a faz ser amada e esperada por tantas pessoas? Soraya sabia a resposta. Habitando em um vilarejo do interior, esta mulher de trinta anos ansiava pelo verão para se encontrar com a sua maior paixão, o mar.

Ao chegar o verão, Soraya arrumou as suas malas e disse aos seus pais e parentes que iria para a cidade de Copacabana, para o seu encontro anual com o mar. Os seus pais não entendiam qual era o fascínio que a filha tinha pelo mar, que fazia a mesma enfrentar oito horas de viagem. Eles se questionavam qual a importância disso? Então, observe esta linha de raciocínio.

Em sua concepção, o mar era a libertação, o encontro consigo mesma, o local em que a corajosa trabalhadora enfrentava todos os seus medos: de morrer sem ter realizado os seus sonhos, de perder os entes queridos sem ter feito  o possível para ajudá-los, de não encontrar alguém para formar uma família, entre outras frustrações que pairavam pela sua mente.

Soraya gostava de sentar na areia quente e ver as competições de surfe que tinham na época do verão. Era um verdadeiro encontro. Mas, qual a razão da fixação por assentar-se na areia quente? Era simples o motivo. Na realidade, a areia representava todos os desafios pelos quais atravessava naquele período. Então, ao colocar uma toalha em cima, ela lembrava que havia momentos em que as dores amenizavam, por isso, preferia enfrentá-las de uma vez.

A competição era o momento mais esperado. A primeira onda vencida, a menor, representavam todos os pequenos medos de Soraya, como, por exemplo, a primeira vez em que foi em uma roda gigante, aquele brinquedo que para uma criança tão pequena simbolizava o fim, e, no entanto, se tornou a sua diversão preferida.

A cada onda vencida pelo surfista vinha a lembrança de um medo ou frustração superada. Porém, em cada queda, em cada onda gigante vinha a sensação das maiores dores da vida, aquelas difíceis de superar, como a morte de um primo muito amado por causa de uma doença degenerativa.

Só que nestas derrotas e vitórias, ela não se esquecia do papel fundamental da prancha. O equilíbrio perfeito entre o surfista e as ondas, assim como na vida. É preciso ser equilibrado para não afundar nas ondas grandes e humilde para não subestimar as ondas pequenas.

Ah, mas, após tudo isso, o triunfo, a vitória final! Que doce sentimento, que emoção maravilhosa, não só pela alegria do vencedor, mas, pela representação daquele gesto, choro de alegria, de ter finalmente vencido a dor, assim como a exultação resultante do encontro do amor.

Por meio daquelas areias e ondas, Soraya havia encontrado o amor, a superação da dor, através do melhor encontro que a mesma poderia ter. Ela percebeu que o mar era formado não só por águas profundas, mas também, pelo verdadeiro elo que liga a todos, o amor e que assim como no surfe você pode cair e se levantar quantas vezes forem necessárias, utilizando o exemplo da prancha, é só saber se equilibrar.    

  Conto de minha autoria publicado no 2º número da Revista Ecos da Palavra, cujo tema foi: o verão: o mar e o amor. Segue o link: https://issuu.com/ecosdapalavra/docs/2_numero.


 

 

 

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