Com
o nascimento de um novo dia surge a esperança do aparecimento de um belo
amanhecer, de um sol que ilumina a todos os cidadãos das cidades e também das
zonas rurais. Por meio da expressão contínua do calor, têm-se a sensação de
estarmos no verão.
Mas,
qual é o encanto dessa estação? O que a faz ser amada e esperada por tantas
pessoas? Soraya sabia a resposta. Habitando em um vilarejo do interior, esta
mulher de trinta anos ansiava pelo verão para se encontrar com a sua maior
paixão, o mar.
Ao
chegar o verão, Soraya arrumou as suas malas e disse aos seus pais e parentes
que iria para a cidade de Copacabana, para o seu encontro anual com o mar. Os
seus pais não entendiam qual era o fascínio que a filha tinha pelo mar, que
fazia a mesma enfrentar oito horas de viagem. Eles se questionavam qual a
importância disso? Então, observe esta linha de raciocínio.
Em
sua concepção, o mar era a libertação, o encontro consigo mesma, o local em que
a corajosa trabalhadora enfrentava todos os seus medos: de morrer sem ter
realizado os seus sonhos, de perder os entes queridos sem ter feito o possível para ajudá-los, de não encontrar
alguém para formar uma família, entre outras frustrações que pairavam pela sua
mente.
Soraya
gostava de sentar na areia quente e ver as competições de surfe que tinham na
época do verão. Era um verdadeiro encontro. Mas, qual a razão da fixação por
assentar-se na areia quente? Era simples o motivo. Na realidade, a areia
representava todos os desafios pelos quais atravessava naquele período. Então,
ao colocar uma toalha em cima, ela lembrava que havia momentos em que as dores
amenizavam, por isso, preferia enfrentá-las de uma vez.
A
competição era o momento mais esperado. A primeira onda vencida, a menor,
representavam todos os pequenos medos de Soraya, como, por exemplo, a primeira
vez em que foi em uma roda gigante, aquele brinquedo que para uma criança tão
pequena simbolizava o fim, e, no entanto, se tornou a sua diversão preferida.
A
cada onda vencida pelo surfista vinha a lembrança de um medo ou frustração
superada. Porém, em cada queda, em cada onda gigante vinha a sensação das
maiores dores da vida, aquelas difíceis de superar, como a morte de um primo
muito amado por causa de uma doença degenerativa.
Só
que nestas derrotas e vitórias, ela não se esquecia do papel fundamental da
prancha. O equilíbrio perfeito entre o surfista e as ondas, assim como na vida.
É preciso ser equilibrado para não afundar nas ondas grandes e humilde para não
subestimar as ondas pequenas.
Ah,
mas, após tudo isso, o triunfo, a vitória final! Que doce sentimento, que
emoção maravilhosa, não só pela alegria do vencedor, mas, pela representação
daquele gesto, choro de alegria, de ter finalmente vencido a dor, assim como a
exultação resultante do encontro do amor.
Por
meio daquelas areias e ondas, Soraya havia encontrado o amor, a superação da
dor, através do melhor encontro que a mesma poderia ter. Ela percebeu que o mar
era formado não só por águas profundas, mas também, pelo verdadeiro elo que
liga a todos, o amor e que assim como no surfe você pode cair e se levantar
quantas vezes forem necessárias, utilizando o exemplo da prancha, é só saber se
equilibrar.
Conto de minha autoria publicado no 2º número da Revista Ecos da Palavra, cujo tema foi: o verão: o mar e o amor. Segue o link: https://issuu.com/ecosdapalavra/docs/2_numero.
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